terça-feira, 10 de setembro de 2013

UM DESABAFO EM APOIO A VOZ DAS RUAS

Tenho que desabafar...

Tenho vários ex-companheiros de militância que criticam de forma raivosa as manifestações contra o governo Dilma e seus aliados, inclusive, aqui no Rio de Janeiro, os governos Cabral e Paes.

Alegam eles que nas manifestações, os manifestantes e os black blocs e todos que vão para as ruas são todos manipulados pelo Bolsonaro e pelo Clube Militar.

Não sei se o que se passa na cabeça dessas pessoas... primeiro subestimam a insatisfação popular e depois superestimam a força da direita brasileira. Gritam "golpe!" a cada discordância quanto ao que julgam adequado, da mesma forma que a direita sempre gritou "comunista!" contra os que questionavam seu poder.

O PT não é de esquerda mais faz tempo, o governo Dilma mantém sua fé no conservadorismo econômico, no ajuste fiscal e no superávit primário, os mesmas políticas empregadas pelo governo FHC, contra o qual fomos às ruas.

Mais do que isso, não consigo ver condições objetivas para um Golpe pois a direita está dividida. Os liberais entreguistas perderam seu discurso econômico, pois o governo Dilma roubou suas bandeiras e implementa política similares a eles. As viúvas da ditadura seguem desmoralizadas ante a maior parte da população que repudia sua truculência e boçalidade. 

Ora, o que está acontecendo nas ruas é reflexo direto da insatisfação da população e a percepção clara, por setores de vanguarda, que o capitalismo enfrenta uma de suas últimas crises, que se prolonga desde 2008, arrastando centenas de milhões de pessoas para a miséria absoluta e fazendo com que conflitos armados explodam mundo afora.

Não é coincidência os levantes populares no mundo árabe, nem as manifestações na América Latina e na Europa, estão todas sintonizadas, de uma forma ou de outra na crise mundial do capitalismo, crise esta, da qual o Brasil não está imune.

Sim, milhões de brasileiros saíram da miséria absoluta e agora são apenas pobres. Mas por outro lado os ricos ficaram ainda mais ricos, ou seja, o crescimento econômico se deu dentro da práxis capitalista, ou seja, de forma desigual, concentrando a renda nacional na mão de uns poucos.

Serviços públicos de péssima qualidade, garantidos por acordos políticos. Planos de saúde se tornando uma necessidade e não uma opção, ante as deficiências do sistema público de saúde. A clara conivência entre nossos governantes e a elite financeira e especuladora não passa desapercebida e acaba elevando o descontentamento.

Não, não eram pelos 20 centavos, mas sim por "tudo isso que está ai". A mobilização é agora é contra o próprio sistema capitalista, ainda que muitas pessoas não percebam isso com clareza.

A corrupção, ou seja, a negociação de vantagens entre um agente público e um ente privado é intrínseca ao capitalismo, que faz do estado uma propriedade particular. Da mesma forma os péssimos serviços privatizados e seus preços abusivos tornam o povo refém dos grupos econômicos. O sistema financeiro vende o fetiche do consumo e engorda com juros extorsivos. É contra isso, consciente ou inconsciente, que o povo foi as ruas.

Mas a elite é unida e faz a mídia contar sua versão dos fatos, escolhendo um ou outro alvo. Servem-se da análise falha de alguns militantes para espalhar o medo e a mentira, distorcendo os fatos. "A insatisfação não pode ser contra nosso governo, contra a Dilma" eles pensam... "deve ser a direita" repetem... estão errado e certos ao mesmo tempo.

Estão errados porque a indignação popular é justa e se a direita ganha espaço é porque a esquerda se abstêm de atuar. Estão certos porque o problema é a direita sim, pois a direita desde 1964 está no poder, com outras caras, com outas máscaras, mas sempre servindo ao modelo capitalista.

A
divinhem só quem são os verdadeiros manipulados?

A verdadeira ameaça ao povo brasileiro não são os jovens mascarados que lutam (a maneira deles) contra o "sistema", mas sim a velha política descarada que tem mantido a direita e a burguesia no poder!

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