sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Serviço Público Federal: o futuro é sombrio, mas existe uma saída.



Os próximos anos serão muito difíceis para os Servidores Públicos Federais, principalmente a luz das candidaturas a presidente da república colocadas até o momento. O governo Dilma apostando no superávit primário e no favorecimento aos grandes grupos financeiros transnacionais praticou um perverso achatamento salarial, jogando por terra as pequenas conquistas que tivemos nos governos Lula.

Para piorar ainda mais as nossas perspectivas, os outros nomes postos como possíveis candidatos, consideram o atual governo “tímido” em sua tunga, defendendo que mais recursos públicos deveriam ser destinados aos bancos e especuladores, através da ampliação do superávit primário (recursos orçamentários para o pagamento de juros) que já alcança quase 45% da arrecadação federal.

Aécio Neves do PSDB já declarou diversas vezes (assim como já fez José Serra, seu colega de partido) que a máquina pública está inchada e que o governo precisa ficar mais “leve”. Como sempre o “peso” do Estado não é atribuído aos cargos comissionados que são presenteados aos apadrinhados políticos, mas sim a nós servidores de carreira.

A dupla Eduardo Campos e Marina Silva (ou será o contrário) do PSB, também desfiam um rosário de maledicências voltadas aos servidores, defendendo o arrocho salarial como forma de liberar recursos para, como sempre, privilegiar o sistema financeiro, nem que para isso tenham que demitir aonde for possível.

Assim, o futuro é tenebroso para os trabalhadores do setor público, seja com o governo atual ou com seus principais concorrentes, pois nenhum deles nos enxerga como cidadãos, mas apenas como simples ferramentas que podem ser usadas e descartadas a seu bel prazer.

Qual a solução?

Podemos nos ajoelhar e torcer pelo melhor, mas não creio que isso não bastará…

A única saída realista é a organização dos servidores, fortalecendo as entidades representativas e a construção de greves, operações-padrão e passeatas, pois são os mecanismos de luta que estão nas mãos dos trabalhadores, para fazer com que o reclame coletivo se faça ouvir, pois se permanecermos inertes correremos o risco de enfrentar mais anos de congelamento salarial, demissões e  todo o tipo de abuso.

E você, o que prefere? Sofrer sozinho e calado ou se organizar e lutar por seus direitos?

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O que será a “democracia” para Sérgio Cabral e Eduardo Paes?



Foto de Raul Bittencourt Pedreira - Cinelândia - 30/09/2013

A greve dos professores das redes públicas do Rio de Janeiro vêm se arrastando a alguns meses e a cada dia a solução fica mais longe. Os noticiário dão conta, com grande parcialidade pró-governo, que as negociações estariam sendo dificultadas por agendas externas a educação e que a prefeitura do Rio haveria cedido e oferecido um plano de cargos e salários novo, rejeitado pela maioria esmagadora da categoria. A prefeitura também faz sua parte, aumentando os gastos com propagando e liberando mais recursos para a Fundação Roberto Marinho.

Apenas no período da greve, conforme informações disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura, cerca de R$ 400.000,00 e R$ 600.000,00 foram destinados, respectivamente, para os jornais O Dia e O Globo sob pretexto de propaganda das “realizações” do governo Paes. A que realizações se refere? A destruição da educação?

A criação de um novo plano de cargos e salários é uma das principais bandeiras dos professores cariocas e após diversas reuniões com o prefeito Eduardo Paes (PMDB), ficou acordado que seria criada uma comissão paritária para redigi-lo. Mas não foi isso que acabou por acontecer… a Secretaria Municipal de Educação, criou um Plano novo, sem a participadão dos professores, que o consideram ainda pior do que o então em vigor, o que provocou a ocupação da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelos profissionais da Educação.

Enquanto isso, a Secretária Municipal de Educação, Claudia Costin, administradora e sem experiência na área da educação, conhecida como uma das algozes dos servidores públicos e entusiasta das própostas de Bresser Pereira no governo FHC, quando estava a frente do Ministério da Destruição do Estado, digo, da Administração e Reforma do Estado, afirma que os professores estão com “má-vontade em relação ao governo” e que as críticas ao “professor polivalente” (prática de colocar professores de uma disciplina dando aula de outra, ex. o de história ensinar matemática<!?>) e ao cerceamento da autonomia pedagógia, seriam infundadas..

Os educadores, todavia, pensam bem diferente da prefeitura...

Combatem a criação da figura do “professor polivalente” é uma afronta a qualquer projeto sério de educação, pois há profissional não tenha os conhecimentos necessários para lecionar História, Inglês, Matemática, Química, Geografia, Literatura, Educação Física, Português etc, ao mesmo tempo.

Condenam a política municipal de fazer das escolas públicas meras linhas de montagem, impondo de forma escamoteada a aprovação automática e fazendo com que milhares de jovens terminem o ensino médio ainda analfabetos funcionais, criando um 14º salário para as escolas com índice de reprovações próximo a zero, coagindo os professores a aprovar os alunos sob pena de perdas em seus salários já achatados.

Denúnciam a falta de isonomia no Plano de Costin e Paes, ao privilegiar os profissionais com jornada de 40h semanais criando apenas para estes uma gratificação referente a titulação de doutor e pós-doutorado, em detrimento dos que exercem 16, 22,5 ou 30 horas, de forma a inflar o artificialmente o teto remuneratório dos professores, ocultando a triste verdade de que pouquíssimo profissionais conseguirão receber o teto salarial (pós-doutorandos são raros), enquanto a maioria esmagadora continuará a sofrer com dificuldades financeiras.

Indignam-se contra as seguidas mentiras ditas pelo governo e repetidas a exaustão pela grande mídia que manter viva em suas práticas editoriais a máxima de Joseph Goebbels: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Mas não há mentiras que consigam manter calada para sempre a justa indignação dos trabalhadores!

Na noite do último sábado (28/09) os professores que estava acampados na Câmara dos Vereadores, a “casa do povo”, foram removidos brutalmente pela Polícia Militar, sem ordem judicial para tanto apenas um oficio do presidente da Casa, Jorge Felippe (PMDB), em flagrante desrespeito ao estado democrático de direito, cuspindo na lei a na constituição, a fim de permitir que a aprovação da proposta do governo para a educação..

Porém a brutalidade não calou os professores, que foram as ruas e ocuparam a Cinelândia na segunda-feira (30/09), em frente a antiga “casa do povo”, para mais uma vezes serem agredidos pela polícia do “governo” Sérgio Cabral. Foi usado tanto gás lacrimogênio e de pimenta na Cinelândia que eles podiam ser sentidos por transeuntes até na Praça XV.

O governador Sério Cabral (PMDB) utiliza o aparato policial como sua milicia pessoal em socorro a seu comparsa municipal, com uma atuação que faz lembrar as Sturmabteilung (SA) da alemanha, que atacavam, batiam e até matavam aqueles que se opunham ao partido nazista. Ele e Paes devem ter pensado que tiro, bomba e pancada bastaria para fazer com que as manifestações parassem…


E os poderosos estavam errados, a aula agora é na rua!

No dia seguinte, quando seria enfim votado o plano de cargos e salários da educação municipal, terça-feira (1/10), um número ainda maior de manifestantes acudiu as ruas. Estudantes, artistas, trabalhadores em geral se uniram aos professores, se recusando a curvar-se ante a brutalidade do Estado e a destruição da educação.

Claro que mais tiros, bomba e pancada se seguiram. Policiais entrincheirados no topo da Câmara de Vereadores disparavam bombas de balas de borracha contra a população. Prisões arbitrárias eram feitas lembrando os tempos da ditadura, armando flagrantes mesmo em frente a câmeras que transmitiam tudo ao vivo, certos da impunidade.

Advogados tiveram suas prerrogativas desrespeitadas e foram agredidos por policias que gritavam “advogado é o c#%#*&o, quem manda aqui é nóis <sic>”. Repórteres de mídias alternativas tiveram sua atividade cerceada, equipamentos danificados e foram diversas vezes atacados com tiros, gás lacrimogênio e spray de pimenta.

O papel da polícia não é servir de capanga do governo! Estado democrático é aquele no qual as leis são cumpridas pelo governo, no qual a imprensa é livre para atuar, aonde há direito de livre expressão e manifestação, no qual os governantes administram para o povo e não para seus o atendimento de seus próprios interesses.

Eles, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, Jorge Felippe, esquecem que foram eleitos para servir ao povo e não para se servirem do poder. O caráter patrimonialista deste grupo transparece nas constantes aparições desfrutando de viagens e mordomias, nos familiares virando “empreendedores de sucesso” do dia para a noite, graças a contratos com prestadores de serviços públicos e outros expedientes obscuros, garantindo-lhes a acumulação de gigantescas fortunas. E o que será a democracia para eles? Com certeza não é nada daquilo que queremos que seja!

A luta pela educação é de todos os brasileiros.

A educação pública, gratuita, laica, de qualidade e em todos os níveis é fundamental para qualquer projeto de nação, não podendo ser tratada apenas como uma simples despesa, mas sim como uma atividade fundamental do estado e um investimento no futuro do país.

A educação privada (assim como a saúde) deveria ser apenas uma opção e não uma necessidade, em razão da descaso do estado para com a escola pública, que impõem o endividamento a milhares de famílias brasileiras enquanto a verba da educação é gasta com anúncios na TV e com bombas de gás lacrimogênio.

A educação brasileira só dará um salto de qualidade quando tivermos gestores comprometidos com seu viés público e universal, com salários dignos para os professores, com condições físicas adequadas e com a redução da evasão escolar.

Democracia se constrói sim com o povo na rua, lutando por seus direitos e não o luxo dos gabinetes dos poderosos. Nasce com a consciência de que não podemos apenas ir como gado as urnas a cada dois para escolher os governantes que irão nos oprimir, mas sim que devemos ser vigilantes e atuar diuturnamente pela construção de uma nova e horizontalizada sociedade, na qual todos sejamos iguais não apenas na letra da lei, mas sim de fato.

Por isso no próximo dia 7 de outubro haverá uma nova manifestação, com concentração as 18h na Candelária, centro do Rio, em defesa da educação e contra os abusos perpetrados pelos governos Cabral e Paes e a participadão popular, repudiando a política destes governos é fundamental para a garantia da democracia no Brasil, mostrando aos poderosos que o povo não tolerará tais abusos.

Hoje a brutalidade é com os professores, e se não dermos um basta a isso agoraa, amanhã poderá ser com você! Vamos a luta!


Raul Bittencourt Pedreira
Marido, pai, militante e cidadão



Obrigado aos colegas que colaboraram com o texto fornecendo explicações sobre alguns pontos da política "educacional" da prefeitura. As informações citadas são facilmente verificadas na imprensa. O presente texto pode ser reproduzido em todo ou em parte, desde que sem finalidade econômica, sem alterações e citando a autoria. Fica expressamente vedada sua reprodução por empresas ligadas as organizações Globo, Abril ou grupo Bandeirantes.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SPF-RJ: associações, sindicatos e outras organizações dos servidores

Introdução
O presente texto visa a apresentar de forma simplificada a organização dos servidores e representa as minhas percepções e convicções sobre o tema.


O que é um Sindicato
Sindicato é uma organização social, com elementos de direito público e privado, que reúne pessoas de um mesmo segmento econômico ou de trabalho, objetivando a proteção dos interesses desta coletividade.
Os sindicatos de trabalhadores têm sua atuação voltada para a valorização de sua categoria, a melhoria salarial e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos trabalhadores, se contrapondo a abusos por parte dos empregadores. O sindicato é a entidade que encaminha ao patrão-governo as reivindicações salariais e de direitos dos trabalhadores.


O que é uma Associação
Associação é uma entidade de direito privado, dotada de personalidade jurídica e caracterizada pelo agrupamento de pessoas para a realização e consecução de atividades de interesse em comum, como recreativas, ambientais, esportivas, entre outras. Quando constituídas no local de trabalho, normalmente trabalham em parceria com os sindicatos.


O SINTRASEF
O Sintrasef, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Rio de Janeiro, foi fundado em 26 de setembro de 1989, representando cerca de 250.000 servidores públicos federais da administração direta e indireta no Estado do Rio de Janeiro.
Conta com 35 mil filiados, divididos em 60 órgãos públicos e se organiza através de Congressos, Assembleias Gerais, Conselhos de Base (representantes sindicais), Núcleos de Base, Diretoria Colegiada e Conselho Fiscal. Sua diretoria é composta por 42 filiados, eleitos pelo voto direto para um mandato de dois anos e  membro da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal - CONDSEF.
Os núcleos de base são uma estrutura fundamental na vida do sindicato, pois são eles que  são a ponte entre os trabalhadores e a direção do sindicato, apresentando as reivindicações da base, encaminhando a luta salarial e organizado os servidores em seus locais de trabalho.


A CONDSEF
Criada em 1990, após a Constituição de 88, a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal - CONDSEF têm nos sindicatos gerais, como o SINTRASEF, sua base de sustentação, através de um pirâmide de organização sindical. Filiada à CUT, DIAP, DIEESE, e tendo a participação de centrais como CSP-CONLUTAS e CTB, representa mais de 800 mil servidores públicos em todo o Brasil, representando de 70% do total de servidores do Executivo Federal e sendo a maior entidade do gênero da América Latina.
A CONDSEF é a entidade que realiza as negociações salarias dos servidores públicos federais junto ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - MPOG, que representa o "patrão" Governo Federal.


Por que me sindicalizar
Existe uma clara desproporção de poder entre os patrões (mesmo sendo o ente público) e o trabalhador isolado. O sindicato, através de seu papel de representação coletiva, busca equilibrar esta balança, dando aos trabalhadores um instrumento de organização que faça suas vozes serem ouvidas e impeça abusos por parte do empregador.
Cabe salientar que o Sintrasef abdicou, em decisão congressual, do Imposto Sindical que se constitui da principal fonte de recursos da maioria dos sindicatos. Assim, ao contrário da maioria, o Sintrasef vive apenas das contribuições dos seus filiados, mas suas conquistas se estendem a todos os Servidores da sua base.
Os servidores públicos federais no estado do Rio de Janeiro têm como instrumento de proteção o SINTRASEF, o qual possui núcleos nos órgãos integrantes de sua base de atuação, entre os quais se destaca o INPI, de forma a melhorar a comunicação entre o sindicato e os servidores em seus respectivos locais de trabalho. Através deste trabalho sindical foram conquistadas importantes vitórias para os servidores do INPI, como a ampliação do horário de funcionamento do órgão, a ampliação da gratificação de qualificação para os servidores de nível intermediário e a incorporação de gratificações.


As Associações
Nos últimos anos da ditadura os sindicatos começaram a ressurgir na vida política dos trabalhadores, todavia, até a Constituição de 1988, a organização de sindicatos era proibida para os servidores públicos, só sendo de fato permitida em 1989. A solução foi a criação de associações, as quais, posteriormente, ajudaram na reconstrução dos sindicatos.


Trabalho em conjunto
Atualmente é comum sindicatos e associações trabalharem em conjunto, colaborando na mobilização dos trabalhadores e na construção de pautas de reivindicação. As associações, por estarem diretamente no local de trabalho, acabam por focar em atividades recreativas e de debates internos, buscando a solução de problemas locais, ao passo que o sindicato atua nas questões gerais, com foco no ganho salarial e no fortalecimento das carreiras.
Assim, as atuações não são antagônicas, mas sim complementares, na qual as entidades trabalham de forma articulada, cada um focando em sua especificidade, mas sempre buscando construir a unidade.


Significado da unidade
Muitas vezes são utilizados chavões sobre a unidade, mas nem todos condizem com a realidade. A unidade não se faz reunindo aqueles que pensam igual, mas justamente quem pensa diferente, devendo para tanto superar suas divergências de concepção de sociedade e buscar a construção de um projeto em comum.
A unidade nasce da diversidade de pessoas e idéias, unidas por objetivos comuns, como foi o caso da histórica campanha das Diretas Já, que reuniu os mais diversos setores da sociedade brasileira, muitas vezes com ideologias ou interesses antagônicos, sob uma única bandeira.


A importância da participação
Seja na associação, seja no sindicato (e de preferência em ambos) é importante que os servidores participem e discutam os rumos e encaminhamentos a serem seguidos.
Quando não participamos, decisões importantes sobre nossa vida, carreira e lugar de trabalho são tomadas sem ouvir nossa opinião. A abstenção, na prática, acaba por referendar a vontade dos outros.


Participe, debata, tire suas próprias conclusões e auxilie a determinar os rumos do INPI e de nossa carreira.


Introdução
O presente texto visa a apresentar de forma simplificada a organização dos servidores e representa as minhas percepções e convicções sobre o tema.


O que é um Sindicato
Sindicato é uma organização social, com elementos de direito público e privado, que reúne pessoas de um mesmo segmento econômico ou de trabalho, objetivando a proteção dos interesses desta coletividade.
Os sindicatos de trabalhadores têm sua atuação voltada para a valorização de sua categoria, a melhoria salarial e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos trabalhadores, se contrapondo a abusos por parte dos empregadores. O sindicato é a entidade que encaminha ao patrão-governo as reivindicações salariais e de direitos dos trabalhadores.


O que é uma Associação
Associação é uma entidade de direito privado, dotada de personalidade jurídica e caracterizada pelo agrupamento de pessoas para a realização e consecução de atividades de interesse em comum, como recreativas, ambientais, esportivas, entre outras. Quando constituídas no local de trabalho, normalmente trabalham em parceria com os sindicatos.


O SINTRASEF
O Sintrasef, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Rio de Janeiro, foi fundado em 26 de setembro de 1989, representando cerca de 250.000 servidores públicos federais da administração direta e indireta no Estado do Rio de Janeiro.
Conta com 35 mil filiados, divididos em 60 órgãos públicos e se organiza através de Congressos, Assembleias Gerais, Conselhos de Base (representantes sindicais), Núcleos de Base, Diretoria Colegiada e Conselho Fiscal. Sua diretoria é composta por 42 filiados, eleitos pelo voto direto para um mandato de dois anos e  membro da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal - CONDSEF.
Os núcleos de base são uma estrutura fundamental na vida do sindicato, pois são eles que  são a ponte entre os trabalhadores e a direção do sindicato, apresentando as reivindicações da base, encaminhando a luta salarial e organizado os servidores em seus locais de trabalho.


A CONDSEF
Criada em 1990, após a Constituição de 88, a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal - CONDSEF têm nos sindicatos gerais, como o SINTRASEF, sua base de sustentação, através de um pirâmide de organização sindical. Filiada à CUT, DIAP, DIEESE, e tendo a participação de centrais como CSP-CONLUTAS e CTB, representa mais de 800 mil servidores públicos em todo o Brasil, representando de 70% do total de servidores do Executivo Federal e sendo a maior entidade do gênero da América Latina.
A CONDSEF é a entidade que realiza as negociações salarias dos servidores públicos federais junto ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - MPOG, que representa o "patrão" Governo Federal.


Por que me sindicalizar
Existe uma clara desproporção de poder entre os patrões (mesmo sendo o ente público) e o trabalhador isolado. O sindicato, através de seu papel de representação coletiva, busca equilibrar esta balança, dando aos trabalhadores um instrumento de organização que faça suas vozes serem ouvidas e impeça abusos por parte do empregador.
Cabe salientar que o Sintrasef abdicou, em decisão congressual, do Imposto Sindical que se constitui da principal fonte de recursos da maioria dos sindicatos. Assim, ao contrário da maioria, o Sintrasef vive apenas das contribuições dos seus filiados, mas suas conquistas se estendem a todos os Servidores da sua base.
Os servidores públicos federais no estado do Rio de Janeiro têm como instrumento de proteção o SINTRASEF, o qual possui núcleos nos órgãos integrantes de sua base de atuação, entre os quais se destaca o INPI, de forma a melhorar a comunicação entre o sindicato e os servidores em seus respectivos locais de trabalho. Através deste trabalho sindical foram conquistadas importantes vitórias para os servidores do INPI, como a ampliação do horário de funcionamento do órgão, a ampliação da gratificação de qualificação para os servidores de nível intermediário e a incorporação de gratificações.


As Associações
Nos últimos anos da ditadura os sindicatos começaram a ressurgir na vida política dos trabalhadores, todavia, até a Constituição de 1988, a organização de sindicatos era proibida para os servidores públicos, só sendo de fato permitida em 1989. A solução foi a criação de associações, as quais, posteriormente, ajudaram na reconstrução dos sindicatos.
Assim foi o caso da AFINPI, cujos participantes posteriormente participaram da construção do Sintrasef, não havendo sobreposição de atribuições, mas sim complementariedade.


Trabalho em conjunto
Atualmente é comum sindicatos e associações trabalharem em conjunto, colaborando na mobilização dos trabalhadores e na construção de pautas de reivindicação. As associações, por estarem diretamente no local de trabalho, acabam por focar em atividades recreativas e de debates internos, buscando a solução de problemas locais, ao passo que o sindicato atua nas questões gerais, com foco no ganho salarial e no fortalecimento das carreiras.
Assim, as atuações não são antagônicas, mas sim complementares, na qual as entidades trabalham de forma articulada, cada um focando em sua especificidade, mas sempre buscando construir a unidade.


Significado da unidade
Muitas vezes são utilizados chavões sobre a unidade, mas nem todos condizem com a realidade. A unidade não se faz reunindo aqueles que pensam igual, mas justamente quem pensa diferente, devendo para tanto superar suas divergências de concepção de sociedade e buscar a construção de um projeto em comum.
A unidade nasce da diversidade de pessoas e idéias, unidas por objetivos comuns, como foi o caso da histórica campanha das Diretas Já, que reuniu os mais diversos setores da sociedade brasileira, muitas vezes com ideologias ou interesses antagônicos, sob uma única bandeira.


A importância da participação
Seja na associação, seja no sindicato (e de preferência em ambos) é importante que os servidores participem e discutam os rumos e encaminhamentos a serem seguidos.
Quando não participamos, decisões importantes sobre nossa vida, carreira e lugar de trabalho são tomadas sem ouvir nossa opinião. A abstenção, na prática, acaba por referendar a vontade dos outros.

Saudações Sindicais.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

UM DESABAFO EM APOIO A VOZ DAS RUAS

Tenho que desabafar...

Tenho vários ex-companheiros de militância que criticam de forma raivosa as manifestações contra o governo Dilma e seus aliados, inclusive, aqui no Rio de Janeiro, os governos Cabral e Paes.

Alegam eles que nas manifestações, os manifestantes e os black blocs e todos que vão para as ruas são todos manipulados pelo Bolsonaro e pelo Clube Militar.

Não sei se o que se passa na cabeça dessas pessoas... primeiro subestimam a insatisfação popular e depois superestimam a força da direita brasileira. Gritam "golpe!" a cada discordância quanto ao que julgam adequado, da mesma forma que a direita sempre gritou "comunista!" contra os que questionavam seu poder.

O PT não é de esquerda mais faz tempo, o governo Dilma mantém sua fé no conservadorismo econômico, no ajuste fiscal e no superávit primário, os mesmas políticas empregadas pelo governo FHC, contra o qual fomos às ruas.

Mais do que isso, não consigo ver condições objetivas para um Golpe pois a direita está dividida. Os liberais entreguistas perderam seu discurso econômico, pois o governo Dilma roubou suas bandeiras e implementa política similares a eles. As viúvas da ditadura seguem desmoralizadas ante a maior parte da população que repudia sua truculência e boçalidade. 

Ora, o que está acontecendo nas ruas é reflexo direto da insatisfação da população e a percepção clara, por setores de vanguarda, que o capitalismo enfrenta uma de suas últimas crises, que se prolonga desde 2008, arrastando centenas de milhões de pessoas para a miséria absoluta e fazendo com que conflitos armados explodam mundo afora.

Não é coincidência os levantes populares no mundo árabe, nem as manifestações na América Latina e na Europa, estão todas sintonizadas, de uma forma ou de outra na crise mundial do capitalismo, crise esta, da qual o Brasil não está imune.

Sim, milhões de brasileiros saíram da miséria absoluta e agora são apenas pobres. Mas por outro lado os ricos ficaram ainda mais ricos, ou seja, o crescimento econômico se deu dentro da práxis capitalista, ou seja, de forma desigual, concentrando a renda nacional na mão de uns poucos.

Serviços públicos de péssima qualidade, garantidos por acordos políticos. Planos de saúde se tornando uma necessidade e não uma opção, ante as deficiências do sistema público de saúde. A clara conivência entre nossos governantes e a elite financeira e especuladora não passa desapercebida e acaba elevando o descontentamento.

Não, não eram pelos 20 centavos, mas sim por "tudo isso que está ai". A mobilização é agora é contra o próprio sistema capitalista, ainda que muitas pessoas não percebam isso com clareza.

A corrupção, ou seja, a negociação de vantagens entre um agente público e um ente privado é intrínseca ao capitalismo, que faz do estado uma propriedade particular. Da mesma forma os péssimos serviços privatizados e seus preços abusivos tornam o povo refém dos grupos econômicos. O sistema financeiro vende o fetiche do consumo e engorda com juros extorsivos. É contra isso, consciente ou inconsciente, que o povo foi as ruas.

Mas a elite é unida e faz a mídia contar sua versão dos fatos, escolhendo um ou outro alvo. Servem-se da análise falha de alguns militantes para espalhar o medo e a mentira, distorcendo os fatos. "A insatisfação não pode ser contra nosso governo, contra a Dilma" eles pensam... "deve ser a direita" repetem... estão errado e certos ao mesmo tempo.

Estão errados porque a indignação popular é justa e se a direita ganha espaço é porque a esquerda se abstêm de atuar. Estão certos porque o problema é a direita sim, pois a direita desde 1964 está no poder, com outras caras, com outas máscaras, mas sempre servindo ao modelo capitalista.

A
divinhem só quem são os verdadeiros manipulados?

A verdadeira ameaça ao povo brasileiro não são os jovens mascarados que lutam (a maneira deles) contra o "sistema", mas sim a velha política descarada que tem mantido a direita e a burguesia no poder!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

LARANJEIRAS VIROU UM CHIQUEIRO

As manifestações da noite da terça-feira, 27 de agosto de 2013, transformaram o Largo do Machado e o bairro das Laranjeiras em um enorme chiqueiro. Além do lixo espalhado, afim de dificultar a movimentação do aparato repressivo do Estado, haviam porcos de camuflagem cinza, grunhindo para os transeuntes e motoristas, enquanto olhavam com ódio para os manifestantes enquanto farejavam a oportunidade de derramar o sangue de trabalhadores e estudantes.

A forma agressiva como se portavam os "leões-de-chácara" do Cabral assustava os moradores e motoristas que passavam por aquele pedaço da cidade do Rio de Janeiro. Em frente a Igreja da Gloria, no Largo do Machado, um deles para sua moto ao lado de um ônibus que embarcava passageiros no ponto, estapeia com violência o veículo mandando que ele saísse logo (e azar dos passageiros), pois queriam se preparar ali para vandalizar os manifestantes que se reuniam no meio da praça.

Alguns animais quando criados em cativeiro eles podem até ficar dóceis, mas quando libertados na natureza voltam-se aos seus instintos, a sua verdadeira natureza... então não se enganem com palavras doces ou sorrisos quando estão contidos, pois se são soltos na floresta escura eles podem lhe devorar.

A DEMOCRACIA DO PASSADO E A DE HOJE

A democracia grega pode ter sido suavizada na aparência, mas em sua essência reflete o mesmo regime de dominação de classes, com o poder de fato nas mão da elite rica e o restante da população sobrevivendo a base das migalhas que caem das mesas dos poderosos.

Ela nasce com um instrumento das classes dominantes para oprimir as demais.

Na democracia ateniense, o poder mais alto era a Assembleia Popular, organizada por meio de votações realizadas com o erguimento das mãos, logicamente destinado àqueles que tinham a habilidade e a oralidade bem desenvoltas, como no caso específico dos “Eupátridas” (os bem nascidos), a classe dos aristocratas que tinham acesso ao conhecimento e que constituíam a elite dominante da época.
E será que a democracia mudou muito daqueles tempos da Grécia Antiga até hoje?

Os Eupátridas manipulavam os pequenos proprietários e os artesãos (“georgói” e “Thetas” respectivamente) podiam participar das decisões, sendo usados como massa de manobra.

Todavia, apenas uma pequena parte da população poderia votar, apenas os gregos livres, do sexo masculino e detentores de propriedades (ainda que pequenas) tinham direito a  participar. A grande maioria da população, composta de Metecos (comerciantes estrangeiros) e seus descendentes, mulheres e escravos, estava absolutamente fora da estrutura de poder político e da participação nas Assembleia e eleições.

O sistema "democrático" servia para a partilha de poder e a co-responsabilização dos atores político, econômicos e sociais gregos, de forma mais ou menos pacífica, permitindo uma tranquila dominação sob a grande massa de explorados que poderia apoveitar os conflitos internos da elite, no caso de uma disputa violenta, para se sublevar, libertando-se da escravidão.

sábado, 24 de agosto de 2013

O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE MÉDICOS CUBANOS (Brasil 247)

: http://aliberdadeevermelha.blogspot.com.br/2013/08/o-que-voce-precisa-saber-sobre-medicos.html


Membro do núcleo de estudos cubanos da Universidade de Brasília, o jornalista Hélio Doyle, que conhece como poucos a realidade do país, expõe argumentos técnicos sobre a vinda de profissionais de saúde; ele diz, por exemplo, que eles já atuaram em regiões remotas do País no passado, sem que houvesse qualquer gritaria; como Cuba é um país socialista, a contratação é feita diretamente junto ao Estado, que tem a preocupação de preservar baixos índices de desigualdade; dos 78 mil doutores cubanos, que têm uma das melhores relações médico/paciente do mundo, 30 mil atuam no exterior o índice de deserção é baixíssimo

24 DE AGOSTO DE 2013 ÀS 09:38

247 - Profundo conhecedor da realidade de Cuba e membro do núcleo de estudos cubanos da Universidade de Brasília, o jornalista Hélio Doyle produziu diversas análises técnicas, e sem ranço ideológico, sobre a importação de 4 mil profissionais pelo governo brasileiro.
Os textos foram cedidos ao 247 e permitem uma maior compreensão sobre um tema que tem gerado tanto debate. Leia abaixo seus artigos:

O QUE NÃO SE DIZ SOBRE OS MÉDICOS CUBANOS

A grande imprensa brasileira, que nos últimos anos exacerbou, por incompetência e ideologia, a superficialidade que sempre a caracterizou, tem sido coerente ao tratar da vinda de quatro mil médicos cubanos: limita-se a noticiar o fato e reproduzir as críticas das associações corporativas de médicos e dos políticos oposicionistas. Mantém-se fiel à superficialidade que é sua marca, acrescida de forte conteúdo ideológico conservador e de direita.
Não conta, por exemplo, que médicos cubanos já trabalharam no Brasil, atendendo a comunidades pobres e distantes nos estados de Tocantins, Roraima e Amapá. Não houve nenhuma reclamação quanto à qualidade desse atendimento e nenhum problema com o conhecimento restrito da língua portuguesa. Os médicos cubanos tiveram de deixar o Brasil por pressão do corporativismo médico brasileiro – liderado por doutores que gostam de trabalhar em clínicas privadas e nas grandes cidades.
A grande imprensa não conta também que há mais de 30 mil médicos cubanos trabalhando em 69 países da América Latina, da África, da Ásia e da Oceania, lidando com pessoas que falam inglês, francês, português e dialetos locais. Só no Haiti, onde a população fala francês e o dialeto creole, há 1.200 médicos cubanos – que sustentam o sistema de saúde daquele país e, como profissionais com alto nível de educação formal, aprendem rapidamente línguas estrangeiras.
O professor John Kirk, da Universidade Dalhousie, no Canadá, estudou a participação de equipes de saúde de Cuba em vários países e é dele a frase seguinte: “A contribuição de Cuba, como ocorre agora no Haiti, é o maior segredo do mundo. Eles são pouco mencionados, mesmo fazendo muito do trabalho pesado”. Segredo porque a imprensa internacional – especialmente a estadunidense — não gosta de falar do assunto.
Kirk contesta o argumento de que os médicos cubanos que atendem as comunidades pobres em vários países não são eficientes por não dominar as últimas tecnologias médicas: “A abordagem high-tech para as necessidades de saúde em Londres e Toronto é irrelevante para milhões de pessoas no Terceiro Mundo que estão vivendo na pobreza. É fácil ficar de fora e criticar a qualidade, mas se você está vivendo em algum lugar sem médicos, ficaria feliz quando chegasse algum”.
O problema dos que contestam a vinda de médicos estrangeiros e, em especial dos cubanos, é que as pessoas que passam anos ou toda a vida sem ver um médico ficarão muito felizes quando receberem a atenção que os corporativistas do Brasil lhes negam e tentam impedir.

SOCIALISMO E GUERRA FRIA

Duas informações referentes à vinda de médicos cubanos para o Brasil e que podem ser úteis aos que querem ir além do que diz a grande imprensa:
- Cuba é um país socialista e por isso, gostemos ou não, as coisas não funcionam exatamente como em um país capitalista. Como é um país socialista, há a preocupação de manter baixos os índices de desigualdade econômica e social. Por isso nenhuma empresa ou governo estrangeiro contrata trabalhadores cubanos diretamente, em Cuba ou no exterior (nesse caso quando a contratação é resultado de um acordo entre estados). Todos são contratados por empresas estatais que recebem do contratante estrangeiro e pagam os salários aos trabalhadores, sem grande discrepância em relação ao que recebem os que trabalham em empresas ou organismos cubanos. Os médicos que trabalham no exterior recebem mais do que os que trabalham em Cuba. Mas algo como nem muito que seja um desincentivo aos que ficam, nem tão pouco que não incentive os que saem.
- O governo dos Estados Unidos tem um programa especial para atrair médicos cubanos que trabalham no exterior. Eles são procurados por funcionários estadunidenses e lhes são oferecidas inúmeras vantagens para “desertar”, como visto de entrada, passagem gratuita, permissão de trabalho e dispensa de formalidades para exercer a atividade. Os que atuam na América Latina são os mais procurados e uma condição para serem aceitos no programa é que critiquem o sistema político cubano e digam que os médicos no exterior são oprimidos e mantidos quase como escravos. Os que aceitam as ofertas dos Estados Unidos, os que emigram para outros países ou ficam no país que os recebe depois de terminado o contrato representam cerca de 3% dos efetivos.  No Brasil, mantida essa média, pode-se esperar que até 120 dos quatro mil médicos cubanos “desertem”.

UM SISTEMA IRREAL

A citação a seguir é do New England Journal of Medicine: “O sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA”.
Menções elogiosas ao sistema de saúde cubano e a seus profissionais são frequentes em publicações especializadas e ditas por autoridades médicas e organizações internacionais, como a Organização Mundial de Saúde, a Organização Panamericana de Saúde e o Unicef. Mas mesmo assim, querendo negar a realidade, médicos e políticos brasileiros insistem em negar o óbvio, chegando ao absurdo de dizer que nossa população está correndo riscos ao ser atendida pelos cubanos.
Para começar, os indicadores de saúde em Cuba são os melhores da América Latina e estão à frente dos de muitos países desenvolvidos. A mortalidade infantil, por exemplo (4,8 por mil), é menor do que a dos Estados Unidos. Aliás, para os que gostam de dizer que Cuba estava melhor antes da revolução de 1959, naquela época era de 60 por mil. A expectativa de vida dos cubanos é também elevada: 78,8 anos.
Outro aliás quanto aos saudosistas: em 1959, Cuba tinha seis mil médicos, sendo que três mil correram para os Estados Unidos quando viram que não haveria mais lugar para o sistema privado de saúde e que os doutores elitistas e da elite perderiam seus privilégios. Hoje tem 78 mil médicos, um para cada 150 habitantes, uma das melhores médias do mundo. Isso permite a Cuba manter mais de 30 mil médicos no exterior. Desde 1962, médicos cubanos já estiveram trabalhando em 102 países.
Em 2012 formaram-se em Cuba 5.315 médicos cubanos em 25 faculdades públicas e 5.694 estrangeiros, que estudam de graça na Escola Latino-americana de Medicina (Elam). A Elam recebe estudantes de 116 países, inclusive dos Estados Unidos, e já formou 24 mil estrangeiros.
Os médicos cubanos se formam após seis anos de graduação, incluindo um de internato, e mais três ou quatro anos de especialização. Os generalistas, que atendem no sistema Médico da Família (um médico e um enfermeiro para 150 a 200 famílias, e que moram na comunidade que atendem) são preparados para atuar em clínica geral, pediatria, ginecologia-obstetrícia e fazer pequenas cirurgias.
Dos quatro mil médicos que vêm para o Brasil, todos têm especialização em medicina de família, 42% já trabalharam em pelo menos dois países e 84% têm mais de 16 anos de atividade. Grande parte já atuou em países de língua portuguesa, na África e em Timor-Leste. Foi em Timor, a propósito, que ocorreu o fato seguinte: o embaixador estadunidense exigiu do então presidente Xanana Gusmão que expulsasse os médicos cubanos. Xanana perguntou quantos médicos dos Estados Unidos havia no Timor-Leste e quantos o país mandaria para substituir os mais de duzentos cubanos que estavam lá. Diante da resposta, de que havia apenas um, que atendia os diplomatas norte-americanos, e que não viria mais nenhum, Xanana, simplesmente, disse que os cubanos ficariam. E estão lá até hoje. Falando português.

OS LIMITES DO CORPORATIVISMO

1 – Sindicatos de trabalhadores existem para defender os interesses das categorias profissionais que representam. São corporativistas por definição.
2 – É natural que esses interesses conflitem com os de seus empregadores, especialmente em questões ligadas à remuneração e condições de trabalho.
3 – Muitas vezes os interesses de uma categoria batem de frente com interesses de outras categorias, e aí cada sindicato defende seus representados, o que também é natural.
4 – Outras vezes os interesses de uma categoria colidem com interesses do país e da sociedade. Essa é uma questão complicada: quem tem legitimidade para definir os interesses nacionais é a população, que só é consultada quando elege seus governantes e representantes. E esses governantes e representantes têm, muitas vezes, sua legitimidade contestada.
A contradição entre interesses corporativos e interesses nacionais e da sociedade, assim, só pode ser resolvida pelos que têm legitimidade para expressar esses interesses nacionais e da sociedade em seu conjunto.
Nos últimos dias, tivemos três bons exemplos de como os interesses corporativos colidem com os da sociedade. São três causas que podem interessar às categorias profissionais, mas violam a legislação e ferem os direitos humanos e sociais:
- O sindicato dos servidores no Legislativo defendeu que funcionários da Câmara e do Senado recebam remunerações que superam o teto salarial que deve vigorar para todos.
- O sindicato dos aeroviários defendeu a tripulação que criou absurdos e desnecessários constrangimentos a uma criança de três anos e a sua família, por causa de uma doença não infecciosa.
- Os sindicatos de médicos são contra o trabalho de médicos estrangeiros no Brasil, mesmo não havendo médicos brasileiros interessados no trabalho que eles vão fazer.
O corporativismo é inevitável, e os interesses corporativos devem ser discutidos e considerados. Não podem é prevalecer quando contrariam interesses e direitos da sociedade: o teto salarial dos servidores tem de ser respeitado, ninguém pode ser submetido a constrangimentos por causa de uma doença e as pessoas têm o direito de receber assistência médica, seja de um brasileiro ou de um estrangeiro.

SISTEMA CUBANO DÁ “DE LAVADA”

As frases a seguir são de um médico cubano radicado no Brasil desde 2000. Insuspeito, pois abandonou Cuba. Formou-se lá e se especializou em epidemiologia e administração da saúde. Trabalhou por dois anos em Angola e veio para Santa Catarina em um acordo da prefeitura de Irati  com o governo de Cuba. Dois anos depois resolveu ficar no Brasil, onde vive com a mulher e quatro filhos. Critica o sistema de pagamento aos médicos, dizendo que ficava com 50% do que era pago pela prefeitura. Mesmo tendo “desertado”, não entra na onda dos médicos brasileiros e dos oposionistas de direita que atacam a vinda dos cubanos.
 O que o médico cubano Alejandro Santiago Benítez Marín, 51 anos, disse ao portal G1:
“Em dois meses, eu já entendia perfeitamente tudo (diferenças culturais, língua). Fazer medicina é igual em todo o lugar, só muda o endereço”.
“Eu não sou contra que eles venham, não. Os médicos cubanos são muito bons, nossa medicina é a melhor do mundo. Só não concordo com a forma como o governo quer pagar, repassando o dinheiro para Cuba e Cuba vai decidir a quantia que vai repassar. Isso não tem cabimento”.
 “Há médicos cubanos fazendo um excelente trabalho no Norte e Nordeste. O Conselho Federal de Medicina tem nos ofendido sem necessidade desde o início, chamando-nos de curandeiros, feiticeiros. Eu sou incapaz de ofender um médico brasileiro, mesmo conhecendo médicos brasileiros que cometem erros, a imprensa publica sempre. Tem médico ruim e bom tanto no Brasil quanto em Cuba. Não temos culpa do que está acontecendo no Brasil e que os médicos de fora têm que vir”.
 “Em Cuba é bem mais fácil o atendimento, não tem esta fila que há hoje no SUS, em que há a demora de três meses para a realização de exames simples, como ultrassonografia ou ressonância. Em Cuba este exame é feito no mesmo dia ou na mesma semana. Esta demora faz o diagnóstico médico ter que esperar”.
 “O sistema cubano dá ‘de lavada’ no SUS, tanto no atendimento normal quanto de emergência. A especialização nossa é muito boa, tanto que Cuba exporta médicos para mais de 70 países”.

Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/saudeebemestar/112703/O-que-você-precisa-saber-sobre-médicos-cubanos.htm