
Contra
o golpe e contra a política do governo Dilma!
Entendam,
eu não defendo o governo Dilma. Ele é indefensável até sobre os
aspectos mais básicos, venal, dissimulado e descompromissado com a
classe trabalhadora. Mas isso não quer dizer que eu quero um
presidente do PMDB, partido que muitos de seus quadros atuais,
herdados da ARENA, estão no poder desde 1964.
Reconhecer
que o PT não é de esquerda e que a proposta de conciliação de
classes apresentada pelo “Lulismo” é uma falácia, é
compreender a realidade dentro de uma concepção classista, fazendo
a partir daí uma análise crítica da conjuntura.
Ser
contra o Golpe da direita não é esquecer as traições sistemáticas
dos governos do PT e aliados (PMDB, PP, PR, PSD, PCdoB, PSB, PDT
etc), como a reforma da previdência comprada pelo Mensalão, as
privatizações, a criminalização de movimentos sociais, a
burocratização de sindicatos entre tantas outras.
Opor-me
ao Golpe é acima de tudo ser coerente pois posso ser contra as
políticas do governo e, mesmo assim, preferir que se mantenha a
regularidade da democracia burguesa que foi conquista pelo esforço e
sangue de tantos militantes valorosos das mais diversas organizações
de esquerda!
Eu
poderia dizer “Fora Todos, Ninguém Me Representa”... e sim, isso
seria verdade! Nem este governo de direita nem os golpistas ainda
mais à direita me representam. “Oponho-me a todos e por isso quero
que todos saiam, e quero agora!” como fazem certos esquerdistas
tomados pela paixão.
Felizmente
eu não sou Don Quixote para lutar contra moinhos de vento. O pouco
conhecimento que tenho me permite (e a todos com bom senso) concluir
sem sombra de dúvidas que o Fora Todos é, para efeitos práticos, o
“Fora Dilma” e “Viva Temer Presidente”.
A
correlação de forças tendente a direita não abre espaço para um
governo dos trabalhadores neste momento, por mais desejável que
seja. Afirmar o contrário é se deixar levar pela paixão e pelo
sonho utopista, pondo de lado a racionalidade e o materialismo
histórico, o que não farei!
A
outra opção, a de “Eleições Gerais Antecipadas” de nada
servem a esquerda também, pois não nos construímos como um projeto
alternativo, com uma proposta sólida o suficiente para envolver a
grande massa de trabalhadores indignados com a situação nacional.
Não fomos capazes de compreender o movimento de 2013 e não seremos
capazes de nos articular para uma eleição em outubro, em menos de 6
meses, que levaria, na falta de outra opção, mais um presidente de
direita ao poder, com o apoio da mesma camarilha que apoiava o
governo atual.
E
sim, é um Golpe, pois não se pode afirmar que uma prática
reiterada, tida como aceitável por todos de repente é proibida. O
objetivo da derrubada do governo não é o declarado pela oposição
da direita, pelo contrário, é garantir a impunidade, a corrupção,
a entrega do patrimônio publico e a patrimonialização do Estado e
contra isso sempre me oporei.
Saudações
socialistas!
Golpistas
não passarão!
E
viva a Unidade Popular pelo Socialismo!
Raul B. Pedreira
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